O Reforço Positivo: Outras Características

Ensinar uma criança a comer salada, por exemplo, pode gerar alguns problemas para os pais. De acordo com aquilo que aprendemos o comportamento de comer salada tenderia a aumentar de frequência, uma vez que traz benefícios à saúde. A questão aqui é que os benefícios chegam em longo prazo e simplesmente ter uma perspectiva deles não é suficiente para modificar ou aprender um comportamento.

Essa é a principal razão para que tenhamos dois tipos clássicos de reforçadores: os arbitrários e os naturais. Reforçadores arbitrários são produto indireto do comportamento, mas que ainda assim servem como intermédio para que este aumente de frequência. Por outro lado os reforçadores naturais são produto direto do comportamento. No exemplo acima o pai poderia oferecer um doce para o filho, caso este comesse a salada durante a refeição. Comer o doce é uma consequência bastante agradável para que a criança emita o comportamento de comer salada, dessa forma ela aprenderá que sempre que comer salada poderá comer um doce após a refeição (reforçador arbitrário). Com o tempo os benefícios de comer salada tendem a aparecer, como ter mais disposição e melhor funcionamento do intestino (reforçador natural).

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(Google Imagens)

Quando um comportamento é reforçado sua frequência aumenta, em contrapartida a frequência de outros comportamentos diminui. Se você começa a praticar atividades físicas com pouca regularidade e percebe que os resultados desejados começam a aparecer, a tendência é que você pratique mais regularmente suas atividades e passe menos tempo ocioso.

Outro efeito do reforço é o que chamamos de diminuição da variabilidade da topografia da resposta, por variabilidade da topografia entende-se diferentes maneiras de emitir o mesmo comportamento. Pense em um bebê aprendendo a andar. Conforme ele tenta se estabilizar os movimentos que ele emite tendem a ser cada vez mais parecidos com aqueles que deram certo, de modo que se torne um padrão com baixa variabilidade, pois a probabilidade de sucesso é maior.

Uma vez que é possível realizar o condicionamento de um comportamento operante é imediato pensar que o oposto também possa ser efetuado. Chamamos, portanto, de extinção operante o processo de diminuir a frequência de um comportamento devido à retirada do reforçador. Por exemplo, você está em um bar com amigos conversando – seu comportamento de falar está sendo reforçado pelos seus amigos ouvintes – de repente alguém na mesa inicia um assunto paralelo e aos poucos a atenção dos outro se volta para aquele que começou a falar. O reforçador que estava mantendo seu comportamento de falar foi suspenso e, portanto, com o passar do tempo seu comportamento tende a diminuir até a extinção. Com isso concluímos que o efeito do reforço é temporário.

Mas não é tudo tão simples como no exemplo anterior. Extinguir um comportamento pode ser muito difícil dependendo do grau de resistência à extinção, que nada mais é do que a emissão do comportamento continuamente ao longo de um intervalo de tempo mesmo sem a presença do reforçador. Isso acontece porque uma contingência reforçadora é baseada em probabilidades. Embora o reforço não tenha aparecido desta vez em uma próxima tentativa ele pode vir a aparecer, já que por tantas outras vezes o fez.

E o que é que influencia nesse processo? Em suma a história de aprendizagem do organismo, que nada mais é do que a história de reforçamento daquele individuo baseada no:

  • Número de reforços anteriores: quanto mais vezes um comportamento foi reforçado, mais resistente à extinção ele será.
  • Custo da resposta: funciona como uma lei do menor esforço, quanto mais esforço uma resposta exige, mais fácil será de extingui-la.
  • O esquema de reforçamento: o comportamento reforçado intermitentemente (às vezes é reforçado e às vezes não) tende a apresentar maior resistência do que aqueles que são reforçados continuamente. (Entenda melhor sobre Esquemas de Reforçamento)

 

Os efeitos da suspenção dos reforçadores aparecem com maior intensidade para aqueles comportamentos que têm maior resistência. Em geral esses efeitos são: a) aumento na variabilidade da topografia da resposta, que ocorre para tentar recuperar o reforço com comportamentos semelhantes e b) eliciação de respostas emocionais. Imagine uma criança que sempre que vai ao shopping e pede algo aos pais ganha um pequeno brinquedo ou algum mimo. Frente a dificuldades financeiras os pais não podem mais reforçar o comportamento de pedir da criança e suspende o reforço (dar o mimo). A criança começará a fazer o pedido de formas diferentes, usará gestos, caretas, poderá fazer birras e uma infinidade de variações, incluindo choro e acessos de raiva até conseguir o que deseja. Caso os pais se mantenham firmes a frequência dessas variações tendem a diminuir e, eventualmente, extinguir.

Qualquer comportamento pode ser manipulado? Como fazemos essa manipulação? Chantagem é algo ruim? Continue acompanhando e entenda melhor as respostas para essas perguntas!

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Escrito por: Ândrea Catharina

Referência Bibliográfica: MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

 

“Pode me chamar de Ana”

O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

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Readers Comments (6)

  1. Olá! Qualquer comportamento pode ser manipulado ? Como conseguir essa manipulação?

    Att,

    Jéssica Lima

    • portalcomportamental 18 de julho de 2017 @ 03:20

      Podemos dizer que todos os comportamentos estão sob controle de variáveis (que podem ser dependentes ou independentes). A Análise do Comportamento busca a modificação do comportamento por meio da manipulação de variáveis independentes.
      Ass.: Caio Moura.

  2. Há uma ligação entre o conceito de resistência à extinção e a relação do aparecimento das tecnologias no mercado de trabalho e os conflitos entre a geração z e y e a geração x?

  3. Esse site foi um achado!!
    Agora comportamental faz todo sentido pra mim 🙂

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