Controle Coercitivo: A Punição Positiva

Em primeiro lugar o termo Punição em Psicologia Comportamental não significa algo ruim, mas refere-se à tendência a eliminar determinados comportamentos.

Infelizmente o problema não é tão simples quanto parece. A recompensa (reforço) e a punição não diferem unicamente com relação aos efeitos que produzem. Uma criança castigada de maneira severa por brincadeiras sexuais não ficará necessariamente desestimulada a continuar, da mesma forma que um homem preso por assalto violento não terá necessariamente diminuída sua tendência à violência. Comportamentos sujeitos a punições tendem a se repetir assim que as contingencias punitivas forem removidas. (SKINNER, 1983, p. 50)

Punição é definida por Skinner como a consequência que diminui a frequência da resposta. Sendo assim, de maneira análoga ao reforço, temos a punição positiva e negativa. Já discutimos os conceitos de positivo e negativo neste contexto, mas vale relembrar que: positivo se relaciona com a apresentação (adição) do estímulo, enquanto que negativo tem a ver com a retirada do mesmo do ambiente. Punição Positiva, portanto, é a contingência cuja ocorrência produz a apresentação de um estímulo que reduzirá a probabilidade de que a resposta se repita. Por exemplo, o comportamento de falar alto durante uma palestra (comportamento) provavelmente gerará pedidos de silêncio e olhares de reprovação (consequências). Para que a consequência não ocorra novamente a tendência é que esse comportamento não se repita. Dizemos, portanto, que o comportamento de falar alto foi punido positivamente.

Skinner afirmou que a suspenção da contingência punitiva tende a recuperar a resposta. Isto acontece porque a emissão da resposta já não apresenta o estímulo aversivo, ou seja, aquele que estava sendo evitado. Dessa forma o organismo é livre para emitir as respostas sem que tenha de lidar com as consequências aversivas, o custo da resposta se torna baixo novamente e ela aumenta de frequência. Uma criança que aprendeu a falar palavrões e ficou de castigo porque o fez, tornará a fazê-lo quando o castigo terminar caso os pais não tornem a puni-lo. Isso acontece porque deve haver a discriminação de que a contingência punidora foi quebrada antes do reestabelecimento da resposta.

Uma conclusão importante desta discussão é que punição não ensina novos comportamentos, ensina apenas a esquiva de determinadas consequências aprendidas pela manutenção de contingencias especificas, isto é, ensina o que não fazer.

Justamente isso faz com que o papel da punição em nossa sociedade seja tão relevante. Sidman afirma que dedicamos uma grande parte de nossas vidas para eliminar ou prevenir estresses que a natureza e a sociedade nos impõem. Nós tendemos a fugir de restrições e limitações e ficamos totalmente presos às contingencias coercitivas que definem nossas normas sociais.

A punição é utilizada em demasia por conta da imediaticidade das consequências, da independência de privação – pois a punição ou o reforço negativo servem para que o comportamento passe a ser de esquiva e da facilidade do arranjo das contingências, uma vez que punir se torna muito mais fácil e com menor custo (não necessariamente financeiro) do que encontrar os reforçadores para o comportamento indesejado e trabalhar sobre o contexto de forma que se modele o comportamento de maneira adequada.

Punição Positiva I

(Google Imagens)

Por outro lado o controle aversivo pode causar efeitos característicos a) eliciação de respostas emocionais – tanto para o agente punidor (pena e culpa) quanto para o individuo punido (raiva, medo, angustia); b) supressão de outros comportamentos além do punido – um indivíduo punido severamente por vários comportamentos tende a emitir menos respostas e em menor variabilidade a fim de se esquivar de possíveis punições; c) respostas incompatíveis ao comportamento punido – a tendência a desenvolver respostas contrárias à punida a fim de esquivar-se; d) contracontrole – o organismo controlado emite uma nova resposta que impede que o agente controlador controle seu comportamento, um exemplo simples é a mentira.

Há alternativas ao controle coercitivo? Quais as consequências desse tratamento a longo prazo? Continue acompanhando o Portal e descubra as respostas!

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Escrito por: Ândrea Catharina

Referência Bibliográfica: MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

 

“Pode me chamar de Ana”

O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

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Readers Comments (12)

  1. Gostei muito da publicação! Me fez refletir como devemos punir corretamente uma criança a fim de educá-lá. Há uma forma adequada?

    • portalcomportamental 15 de Fevereiro de 2016 @ 00:17

      Oi Barbara, tudo bem? Obrigado pelo elogio!

      Então, em Psicologia Comportamental, chamamos de Controle Coercitivo as práticas de Reforçamento Negativo e Punições Positivas e Negativas, isto é, geram efeitos colaterais e são controles envolvendo estímulos aversivos. Por isso o mais indicado é trabalhar com Reforçamento Positivo, ou seja, reforçar aquilo que é adequado, em vez que punir o que é inadequado.
      Sendo assim, a criança aprende a como deve se comportar, em vez de aprender como não deve se comportar. Ao fazer o que ela “deve fazer“, automaticamente ela diminuirá o que “não deve fazer“, já que é uma questão de proporção.

      Exemplo: Dentro de 1h a criança só sabe jogar video-game. Se você disser que a cada 40 minutos de estudo, ela poderá jogar 20 minutos de video-game, você terá conquistado o estudo (comportamento adequado) sem punições, mas sim com reforçamento positivo.

      Espero ter esclarecido!
      Volte mais vezes.
      Ass: Caio Moura.

  2. Parabéns pela linguagem didática e lúdica com que vocês explicam esses conceitos. Análise do comportamento inicialmente parece um mundo obscuro, mas quando finalmente as coisas começam a fazer sentido, sinto como se tivesse vendo tudo claramente. A vida faz mais sentido.
    Em época de prova, o conteúdo de vocês salva vidas, haha!

    • portalcomportamental 18 de setembro de 2016 @ 09:29

      Nós ficamos muito felizes em saber que estamos ajudando estudantes de Análise do Comportamento! Obrigado pelo feedback positivo. Continue nos acompanhando!!! 🙂 Ass: Caio Moura.

  3. MARCIA GONÇALVES SILVA DE MORAES 30 de Maio de 2017 @ 01:12

    Muito esclarecedor, mas gostaria de saber, no caso de um individuo que vive hj uma realidade de supressão como deveria ser tratado para a extinção deste comportamento?

  4. Eu sei o conceito de contra controle, mas ainda tenho dúvida. A mentira é contra controle, meu professor falou que se seu patrão te chama atenção, você vai lá e chama atenção de sua secretária, também é, ou quando você diminui a velocidade na presença do radar. São exemplos diferentes, mas é tudo é contra controle, alguns parecem até esquiva.

    • portalcomportamental 22 de junho de 2017 @ 20:23

      Sim! O contra-controle pode ser um comportamento de esquiva.
      Quais são suas dúvidas? Agradeço a leitura no portal! =D
      Ass.: Caio Moura.

  5. á discutimos os conceitos de positivo e negativo neste contexto. desculpe-me, mas eu não achei onde discutiram, se tiver como me mostrar ou dar o link ficaria grato.

    • portalcomportamental 2 de outubro de 2017 @ 15:23

      Olá!
      Estão nos nossos textos básicos, logo os primeiros… Mas, basicamente, positivo é apresentação de algo, enquanto negativo é a retirada de algo.
      Ass.: Caio Moura.

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