Controle de Estímulos: O Papel do Contexto

Por que você canta no chuveiro, mas não o faz em público? Por que você fala sobre determinadas coisas com seus amigos e não com seus pais? Este artigo propõe explicar essas questões de maneira simples, através de um conceito chave: o contexto.

(Vídeo-aula sobre o controle de estímulos (o papel do contexto), por Caio Moura)

Quando ouvimos a palavra contexto lembramos logo daquelas aulas de interpretação de texto e redação, mas falamos aqui do conjunto de estímulos que antecede a resposta (o comportamento) e sua influência perante a mesma, ou seja, eventos antecedentes alteram a probabilidade de emissão de determinadas respostas.  Isso acontece devido ao que chamamos de discriminação operante que gera operantes discriminados, isto é, quando o contexto apresenta estímulos discriminativos a probabilidade de que o comportamento (operante discriminado) ocorra aumenta, pois em situações semelhantes no passado este levou a apresentação de reforçador.

Neste momento entra em cena um dos grandes protagonistas da Análise do Comportamento: a Contingência tríplice. Esta unidade é formada pelo contexto/ ocasião O, a resposta/ comportamento R e a consequência C. A grande maioria dos comportamentos dos organismos pode ser compreendida ao se analisar o contexto no qual ocorreram. A ocasião pode se configurar em um estímulo discriminativo SD ou estímulo delta SΔ, o primeiro se refere àqueles estímulos que sinalizam que uma resposta será reforçada, já o segundo sinaliza que a resposta não o será.

Perceba que um mesmo estímulo pode ser delta ou discriminativo, dependendo do contexto em questão: O inverno chegou e uma loja de departamentos coloca um anúncio de promoção de cobertores, ao avistá-lo você entra na loja e realiza a compra. Nesta situação o anúncio serviu como estímulo discriminativo para o comportamento de comprar, que por sua vez será reforçado pelo próprio uso do cobertor. Agora suponha que a loja libere exatamente o mesmo anúncio, porém na entrada do verão. Ao avistar a promoção provavelmente você não comprará a coberta, sendo assim o anúncio serviu de estímulo delta para o comportamento de comprar, de forma que você se esquiva do uso do cobertor no verão – que, neste caso, se trata de um estímulo aversivo.

Aprendemos a discriminar de maneira natural: o treino. Basta que na presença de um determinado estímulo uma resposta específica seja reforçada repetidas vezes para que este se torne discriminativo. O inverso também é verdade, deve-se extinguir o comportamento na presença do estímulo delta. (Leia mais sobre Extinção)

Contexto I

(Google Imagens)

Imagine uma criança que deseja dormir na casa de um colega e precisa da permissão do pai. Sua primeira tentativa foi realizada após um dia estressante de trabalho e o pai, com aparência cansada e mal humorada, imediatamente negou. Outras vezes, em circunstâncias semelhantes – aparência física do pai – o pedido da criança foi negado. Dessa forma o aspecto “casado e mal humorado” do pai se torna um estímulo delta para fazer pedidos, pois o comportamento pedir não foi reforçado.

É importante ressaltar que o estímulo discriminativo não elicia respostas! Apenas aumenta a probabilidade de que ela aconteça, uma vez que em ocasiões semelhantes a resposta foi reforçada.

Como sabemos nos comportar em situações novas? Há como modificar um comportamento aprendido sob contingência tríplice? Como fazemos a associação de estímulos? Confira as explicações para essas e outras perguntas aqui no Portal!

Você tem alguma dúvida? Deixe um comentário e nós lhe esclareceremos! Compartilhe também esse texto em suas redes sociais, basta clicar nos botões abaixo! =D

Escrito por: Ândrea Catharina

Referência Bibliográfica: MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

Be the first to comment

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: