Por que eu gosto de quem não gosta de mim?

Por muitas vezes nos pegamos fazendo coisas que não gostaríamos de fazer. E não é diferente quando se trata de relacionamentos. Quem nunca gostou de alguém que não correspondia, não é mesmo?

Esse texto abordará três situações (não são as únicas) gerais trazidas pela Psicologia Comportamental, as quais explicam muitos de nossos comportamentos indesejados como esse. São elas: Perseverança (resistência à extinção), Carência (Privação) e Insistência (Reforçamento Intermitente).

 

  1. Perseverança (resistência à extinção)

Durante sua vida, como você aprendeu a lidar com a perda de algo bom? Essa pergunta é importante devido ao fato de expor o modo pelo qual você age quando algo bom é retirado de você.

Muitas vezes o relacionamento estava, até pouco tempo atrás, às “mil maravilhas”. Agora, as coisas não fluem muito bem e você sente que o (a) parceiro (a) não é mais o mesmo (ou, em conceitos comportamentais, não te reforça mais). Então você começa a tentar mudar o seu jeito (mudança na topografia da resposta), esperando que o relacionamento volte a ser como antes, mas isso não acontece.

A questão chave é que, se você aprendeu ao decorrer da vida que o que está a sua volta deve sempre te fazer bem e feliz, logo você tenderá a desistir das mudanças em seu comportamento à procura desses reforçadores do (a) parceiro (a), e desistirá da causa. É uma questão de tempo até que seu organismo perceba.

Em Psicologia Comportamental, dizemos que esse esquema é de Reforçamento Contínuo, onde os comportamentos são sempre reforçados e, quando o reforçador não existe mais, tendemos a mudar a topografia da resposta (o modo de nos comportarmos), emitir respostas emocionais e, enfim, diminuir a frequência desse comportamento até que ele entre em Extinção.

 

  1. Carência (Privação)

Há quanto tempo o “amor” não bate à sua porta? Dizer e ouvir frases românticas, ser importante para alguém ou ter para quem ligar e de quem receber ligações são acontecimentos cotidianos que nos fazem falta.

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(Tumblr)

Geralmente, devido aos múltiplos afazeres do cotidiano, as pessoas “deixam de lado” as questões de relacionamento para se importarem com estudos, trabalho e o futuro. Mas, repentinamente, alguém demonstra (muitas vezes mal interpretado por quem recebe) uma forma de “amor”. E aí os problemas começam!

Dizemos em Psicologia Comportamental que, quando o organismo não recebe um reforçador há algum tempo, ele entra em Privação desse reforçador. Então, quanto mais o tempo passa, mais valor esse reforçador pode ter.

Os reforçadores sociais são naturais, ou seja, sempre necessitaremos deles. Chamamos de sociais àqueles que têm a ver com a nossa importância para o outro, como a atenção, o sorriso, o cuidado e tantas outras formas de demonstração. É por isso que nos sentimos “felizes” ao sermos “aprovados” socialmente.

Voltando ao relacionamento (que muitas vezes só acontece em sua cabeça), o outro pode estar apenas sendo simpático, carinhoso e socialmente agradável, mas esses reforçadores estavam ausentes em sua vida cotidiana e, quando aparecem, você tende a “não querer largar”. Perceba que muitas vezes a responsabilidade é sua, de como perceber o que está acontecendo.

O importante nesse caso é compreender que o outro não tem responsabilidade quanto às suas privações, e que seria muito mais eficaz encontrar alguém que esteja privado (a) do que você tem a oferecer, e você esteja privado (a) do que ele (a) tem a oferecer. Uma troca mútua de reforçadores, ou seja, gostar de quem gosta da gente!

 

  1. Insistência (Reforçamento Intermitente)

Essa talvez seja a forma mais difícil de conquistar a extinção.

Como bem explicado anteriormente, estamos sempre buscando reforçadores para vivermos bem e felizes. Sendo assim, o que faz com que permaneçamos tentando com alguém algo que essa pessoa já deixou claro que não irá acontecer? O reforçamento intermitente.

Durante o relacionamento (que, mais uma vez, às vezes só acontece em sua cabeça), você se comporta de determinada maneira na esperança de que o outro seja recíproco. Muitas vezes ele (a) não é, mas por algum motivo (por sua insistência, ou por não conseguir dar “um fora”, ou por ser educado (a), dentre outros), às vezes ele (a) é. E os problemas começam aí.

Se, como no caso 1, você é uma pessoa que durante a vida aprendeu que sempre deve ser reforçada (imediatista), logo você abandonará essa relação (extinção), por não atender suas expectativas. Mas, se em sua história de vida você aprendeu a ser insistente até conquistar algo (reforço a longo prazo), você tende a se sentir confortável em uma relação dessas.

Isso acontece devido ao fato do reforço vir intermitentemente. Por exemplo, você manda mensagens com emojis (carinhas disponíveis em mensagens, como no Whatsapp) amorosos, mas a pessoa lhe responde normalmente (às vezes interpretado por você como “friamente”). Durante o dia, por algum motivo dele (a), essa pessoa se encontra melhor humorada, mais alegre ou simpática, e retribui (sem segundas intenções) os emojis. Pronto! Você vai aprendendo que esperar o dia todo por um emoji amoroso é normal.

Não só com mensagens, mas com muitos outros comportamentos que deveriam ter sua frequência alta em um relacionamento, o Esquema de Reforçamento Intermitente faz com que o organismo seja insistente em busca do reforçador. Além disso, é mais difícil entrar em extinção, já que “não se sabe” quando o reforçador virá. Até o organismo perceber que o reforço realmente não aparecerá…

Nesse caso, o importante é você perceber que os reforçadores que você busca (atenção, carinho, importância) devem estar presentes na frequência com que você considera saudável para uma vida a dois. Se você percebe que tem se desgastado muito para ter acesso a algo, talvez seja hora de dialogar com seu (a) parceiro (a) e, caso seja apenas uma paquera unilateral, buscar algo que realmente vá lhe fazer feliz reciprocamente.

 

Em linhas gerais, essas três situações são muito comuns. O intuito do texto não é de analisar os leitores, ou aconselhar, mas sim de demonstrar que muitos de nós passamos por essas situações e que você não é o único.

ATENÇÃO: Nenhuma leitura substitui uma terapia.

Você tem alguma dúvida? Deixe um comentário e nós lhe esclareceremos! Compartilhe também esse texto em suas redes sociais, basta clicar nos botões abaixo! =D

Escrito por: Caio Moura

 

“Pode me chamar de Ana”

O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

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Readers Comments (12)

  1. Muito bom assunto, já passei por isso umas vezes, essa matéria me esclareceu algumas coisas.
    Parabéns pelo trabalho e continue assim

    • portalcomportamental 15 de Fevereiro de 2016 @ 00:51

      Obrigado Tamara!
      Que bom que se identificou com o assunto e pôde compreender melhor a si mesma.
      Continue nos acompanhando! Obrigado!!! Ass: Caio Moura.

  2. Adorei o post! Parece que a comportamental explica muita coisa…. mas como eu tenho certeza de que a pessoa realmente não gosta de mim?
    obrigada

    • portalcomportamental 17 de Fevereiro de 2016 @ 02:22

      Boa noite!
      Que bom que gostou.
      Então, acho que na verdade você deveria se perguntar se essa pessoa lhe faz bem, pois se mesmo ela gostando de você, te faz mal, por qual motivo insistir?
      Caso haja possibilidade de diálogo sincero, nada melhor do que você mesma perguntar diretamente o que quer saber para a pessoa em questão. O diálogo é muito importante!
      Obrigado pela leitura. Continue conosco! =D Ass: Caio Moura.

  3. Nossa que interessante! Difícil achar algo realmente esclarecedor, continuem com este trabalho, estou adorando os temas abordados no site!

    • portalcomportamental 24 de junho de 2016 @ 22:08

      Obrigado Denise! Ficamos muito contentes com sua opinião positiva referente ao nosso portal. Esperamos mais visitas suas! Ass: Caio Moura.

  4. Ricardo Alexandre Sant Anna 10 de agosto de 2016 @ 17:37

    Gostamos de pessoas que não gostam de nós simplesmente porque estas pessoas nos reforçam, de modo direto e indireto! Mesmos se saberem que fazem isto! Quando olhamos para uma foto da pessoa e a julgamos cada vez mais atraente, este estímulo torna-se uma consequência reforçadora! Tudo isso levando-se em consideração variáveis como as do grau de privação experimentado, pela história de reforçamento desenvolvido no relacionamento!

    Ficar mandando recadinhos no WhatsApp, olhando Face book, ou até acompanhar a vida da pessoa amada indiscretamente, ouvir sua voz e até mesmo conseguir sua simpatia como amiga, isso tudo pode ser reforçador! E pior, sabemos que o comportamento é controlado pelas consequências, há envolvido na história um forte repertório de comportamentos respondentes que são despertados e existem em função da pessoa que gostamos! Há portanto os componentes operantes e respondentes que são controlados por padrões de reforçamento mediante diferentes esquemas de intervalos e razões de reforços! É complicado pra quem passa por isso!

    Contingencias de reforçamento alteram o nível de variabilidade do responder, embora deve se considerar que a instalação de novos repertórios comportamentais demandam tempo e esquemas contingenciais somado ao nível de privação do organismo. A variabi8lidade comportamental pode gerar novos grupos de reforçamento e os comportamentos selecionados pelas consequências fazer os comportamentos de gostar do outro ficarem cada vez mais fracos e com o tempo e quantidades de novas operações estabelecedoras é possível superar o problema do amor não correspondido!

    • portalcomportamental 10 de agosto de 2016 @ 20:54

      Excelente comentário! Obrigado por expressar sua opinião, além de muito didática e coerente, é sucinta, objetiva e eficaz. Esperamos mais visitas suas! Ass: Caio Moura.

  5. Ótimo artigo e ótimo site, gostei muito! Parabéns por trazer exemplos tão práticos. Vocês poderiam fazer uma “continuação” desse artigo focando em extinção desses comportamentos, acho que seria muito bom.

    • portalcomportamental 27 de setembro de 2016 @ 12:23

      Bom dia! Ficamos muito felizes com o feedback positivo que estamos recebendo. Com certeza farei a continuação desse artigo. Continue nos acompanhando! Obrigado!!!
      Ass: Caio Moura.

  6. Como lidar com o reforçamento intermitente e essa questão do “gostar de quem não gosta de mim?”

    • portalcomportamental 13 de dezembro de 2017 @ 15:22

      Você pode tentar identificar os reforços que te mantêm no relacionamento e tentar alcança-los de outra forma, diminuindo a privação e enfraquecendo o poder reforçador do relacionamento.

      Ass.: Caio Moura.

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