A Generalização de Estímulos

Já aprendemos como ocorre a discriminação e, portanto, como os estímulos discriminativos influenciam fortemente nosso comportamento. O termo generalização de estímulos remete ao fato de que o organismo tende a emitir a mesma resposta quando o estímulo novo partilha de alguma propriedade física com o SD na presença do qual a resposta foi reforçada no passado.

Alguma vez você já se perguntou por que é tão mais fácil para nos jovens pularem de um smartphone para outro do que para os adultos? A resposta está intimamente ligada ao conceito de generalização de estímulos: uma vez que o comportamento de mexer no aparelho – com qualquer finalidade – foi reforçado (o aparelho serviu para o propósito desejado), esta resposta foi aprendida. Com um novo celular em mãos a tendência é que as respostas emitidas que foram anteriormente reforçadas com o aparelho anterior sejam repetidas, pois se espera uma alta probabilidade de receber o reforçador devido ao alto grau de semelhança. No entanto pessoas mais velhas cuja resposta emitida ao pegar um celular era apenas a de efetuar ligações tendem a ter dificuldades para se adaptarem aos novos modelos. Isso ocorre pois a semelhança – mesmo física – entre o estímulo discriminativo anterior (aparelho antigo) e o novo (smartphone) é mínima, dessa forma novos comportamentos têm de ser aprendidos e reforçados diferencialmente para que o smartphone se torne um SD.

Quanto maior a semelhança mais provável é a generalização e, portanto, a emissão da mesma resposta. A generalização assume um papel importantíssimo em nossa adaptação ao meio, uma vez que com ela conseguimos selecionar comportamentos que podem garantir desde a sobrevivência física (como escolher alimentos) como aqueles que garantem nosso convívio social (viver em comunidade, aprender uma linguagem, etc).

O gradiente de generalização é justamente o grau de semelhança física do SD com o estímulo novo. Uma pessoa que foi mordida por um pastor alemão, por exemplo, tende a emitir respostas de fuga e esquiva mais frequentemente diante de um SD associado a cachorros grandes do que estímulos que sejam menos semelhantes ao pastor alemão, por exemplo, um poodle ou mesmo um cãozinho de pelúcia.

Contexto II IMAGEM

(Google Imagens)

Um aspecto relevante a se tratar é que o reforçamento diferencial tende a diminuir a generalização, pois deixa uma variabilidade mínima tanto para o estímulo quanto para a topografia da resposta. Suponha uma criança que aprendeu a palavra “papai”. Ela possivelmente emitirá esta resposta toda vez que se deparar com um homem relativamente semelhante a seu pai. Contudo nas vezes em que sua fala não for dirigida à pessoa certa, seu comportamento não será reforçado e será reforçado diferencialmente até que ela diga “papai” apenas para seu pai efetivamente (o estímulo discriminativo bem específico).

Por outro lado o reforçamento adicional, isto é, a resposta ser reforçada para diferentes estímulos, ela tende a se repetir com a generalização. Um exemplo simples é o uso quase que universal dos controles remotos, os graus de semelhança física variam, mas como a resposta de utilizar um controle foi reforçada pelo funcionamento do aparelho desejado – seja ele uma televisão, rádio ou mesmo ar condicionado – sempre houver um aparelho eletroeletrônico a probabilidade de se tentar o uso do controle é alta, pois a resposta foi reforçada previamente.

Os estímulos são classificados por similaridade, seja ela física ou funcional – no primeiro caso se a resposta de desrosquear uma tampa for reforçada (a garrafa abrir) a chance de a mesma resposta ser emitida é maior conforme os estímulos se pareçam (ao encontrar outra garrafa com tampa é possível que a primeira coisa a se tentar seja desrosqueá-la). No segundo caso, por outro lado, não há semelhança física, mas os estímulos servem a uma mesma função, instrumentos musicais, por exemplo, não têm necessariamente semelhança entre si, mas podem eliciar a mesma resposta (ouvir, tocar, dançar, etc.).

Sendo assim podemos definir os conceitos de atenção e abstração a partir da perspectiva Skinneriana, que rejeita as explicações mentalistas. Ter atenção nada mais é do que comportar-se sob controle de determinado estímulo. Um motorista dirige com rigor às leis de trânsito quando está em uma região com alta fiscalização está sendo controlado pelo estímulo da fiscalização. Skinner sugere que abstração seja “formação de conceitos”, isto é, emitir um comportamento sob controle de uma propriedade do estímulo – que é comum a mais de um estímulo e ignorar as outras propriedades. Se pensarmos na palavra carro quando estamos andando numa rua associaremos diversos objetos a este estímulo, imaginamos a cabine sobre um suporte de quatro rodas, contudo ignoramos características específicas como marca, cor, modelo.

Como olhar para nossos comportamentos sem ser de forma isolada? Os comportamentos são interdependentes? Como o reforçamento pode interferir em arranjos mais complexos? Confira outras postagens do Portal para descobrir!

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Escrito por: Ândrea Catharina

Referência Bibliográfica: MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

 

“Pode me chamar de Ana”

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“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

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Readers Comments (2)

  1. Kéthilin Ramires 18 de agosto de 2017 @ 06:37

    Boa noite gostaria de saber se a definição de Generalização Respondente é a mesma definição que colocou acima só que como Generalização de Estímulos. Aguardo resposta

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