Psicanálise e Divã: A Psicologia do Inconsciente

NOTA: Este artigo é apenas introdutório. Vale a pena consultar a literatura a respeito do tema. Não discutiremos em detalhes neste post sobre os conceitos fundamentais da Psicanálise, tampouco propomos aqui um confronto entre abordagens.

Quando falamos de Psicanálise – ou muitas vezes apenas o termo “psicologia” – tendemos a correlacionar com a figura de Sigmund Freud. Neurologista austríaco, nascido na segunda metade do século XIX, Freud propôs em sua teoria uma psicologia não baseada em experimentos, mas uma visão interpretativa dos comportamentos.

Freud era judeu e seus estudos foram restritos. Como médico, em seus estágios percebia que as queixas das pacientes nem sempre eram físicas e, então, questionou-se sobre o poder da mente no corpo físico. Sua colaboração traz ideia de mente independente do corpo, com poder sobre ele.

Chamamos de Primeira Tópica a primeira formulação freudiana sobre o funcionamento psíquico: consciente vs inconsciente. O aparelho psíquico seria dividido nessas duas partes, de forma que a primeira remete aquilo que o indivíduo de fato tem acesso – conhece e sabe falar sobre. A segunda, por outro lado, é aquela sobre a qual não só o indivíduo não conhece e mal sabe falar, mas também assume o papel de causa de todos os seus comportamentos. Este é o ponto inicial da divergência entre a teoria Psicanalítica e a Comportamental. Para os behavioristas não há relação de causalidade entre os eventos encobertos e os públicos, mas sim uma cadeia de comportamentos. Freud, por sua vez, considera o conteúdo inconsciente não só como algo encoberto, mas também algo que sequer é conhecido.

Partindo desse ponto, Freud precisa explicar o funcionamento psíquico para que, de alguma forma, possa descrever os eventos psicológicos e seus transtornos – em específico a histeria, transtorno apresentado por mulheres naquela época.

O inconsciente passa a representar o desejo independente da realidade, ou seja, aquilo que o indivíduo é além de reger o comportamento. Mas do que é formado este conteúdo? Em suma o inconsciente seria formado por desejos reprimidos, os conteúdos censurados e as pulsões inacessíveis à consciência. Imagine um rio farto. Agora coloque uma barreira espessa cortando este rio, de forma que a água que vem da nascente fique presa. A divisão daquilo que Freud denominou como consciente e inconsciente funcionaria mais ou menos como essa barreira. Contudo um problema naturalmente aparece: a sobrecarga sobre a barreira pode fazê-la explodir. Se isso acontecesse o aparelho psíquico colapsaria e deixaria de funcionar. Sendo assim Freud precisava explicar os fenômenos não físicos que observava de forma condizente com sua proposta.

O neurologista substituiu a ideia de barreira impermeável por algo um pouco mais flexível, de forma que alguma coisa pudesse, de fato, transpassar. Contudo esse acesso às pequenas partes do conteúdo “atrás da barreira” (inconsciente) não é feito livremente. A passagem é feita em geral através de sonhos, atos falhos e sintomas. A grande questão sob esta perspectiva é: essa passagem é natural! O que se torna um problema é quando há uma espécie de uso abusivo desses canais de passagem de conteúdo.

A Segunda Tópica desmembra o aparelho psíquico e torna a explicação melhor elaborada. O ID representa o inconsciente, o EGO o Eu em relação com a realidade, já o SUPEREGO seria o Eu relacionado com a cultura e suas proibições. O Ego seria, então, uma mediação entre os desejos e a realidade.

A formação dos conteúdos inconscientes e suas repressões são, praticamente, ocorridas na infância. Fase Oral, Anal, Fálica, Período de Latência e Genital. Sendo assim, as explicações sempre estarão ligadas aos desejos inconscientes, à sexualidade e às genitálias – principalmente o falo. Dentro deste contexto Freud apresenta o complexo de Édipo, que traz este nome como referência à tragédia grega Édio Rei, cujo protagonista mata o pai e se casa com a mãe.

A proposta de Freud aqui se constrói sobre conceitos sólidos da sociedade patriarcal da época: o falo representado pelo pênis como o símbolo do poder – é, de maneira esdrúxula, o objeto de desejo mais natural possível. Com isso quero dizer que: a menina percebe que é castrada, ou seja, não possui falo. Sendo assim, desprovida de poder, desejará o pai por ser aquele que o possui e, portanto, competirá com a mãe para consegui-lo. O menino, por sua vez, possui o falo, mas competirá com o pai pela mãe, de forma que seja o detentor do poder.

É evidente que descrevi um dos conceitos mais importantes da teoria Psicanalítica de maneira simplista, mas as características relevantes estão evidenciadas. É importante também reforçar o fato de que quando utilizamos a palavra desejo em psicanálise o significado, embora seja descrito como sexual, não é o mesmo que o do senso comum.

Partindo do princípio de que o inconsciente é algo desconhecido e praticamente imutável, como intervir? A Psicanálise trabalha com interpretação daquilo que é trazido do inconsciente através dos canais que possibilitam algum escape da barreira: sonhos, atos falhos e, principalmente, na técnica de associação livre, onde o indivíduo fala livremente o que vem a sua mente deitado em um divã, sem pretensão de ser coerente com a realidade ou qualquer tipo de censura.

Psicanálise

(Google Imagens)

A hipnose não é, atualmente, o método utilizado porque, segundo Freud, nem todos os indivíduos são hipnotizáveis. Vale ressaltar que, na Psicanálise, a hipnose não tem caráter espiritual, sendo nada mais do que o rebaixamento da consciência para alcançar conteúdos inconscientes. Para isso, leva-se o paciente ao estado hipnótico do sono, próximo ao estágio 3 – na escala dos 5 estágios do sono.

Por fim, a Psicanálise diferencia-se então das demais abordagens por interpretar aquilo que é trazido, através de conhecimento teórico do analista, e por padronizar eventos e classificar os indivíduos através do conceito de personalidade, reafirmando a falta de possibilidade de mudança, o que acontece através da intervenção psicanalítica é o contato com o conteúdo e a reflexão sobre ele, de forma que seja possível diminuir os sintomas até a escala “normal”.

Indicações de Leitura: História da Psicologia Moderna – Schultz & Schultz; História da Psicologia: Rumos e preceitos: caps. 23 – 26; Freud, o lado oculto do visionário – Bregger. Textos do próprio autor.

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Escrito por: Ândrea Catharina & Caio Moura

Referência Bibliográfica: VILELA, Ana M. J.; FERREIRA, Arthur A. L.; PORTUGAL, Francisco T.  História da Psicologia: rumos e preceitos. Rio de Janeiro, RJ: NAU, 2013.

 

“Pode me chamar de Ana”

O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

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