Identidade: Uma Questão de Ser ou Estar?

A importância conferida ao estudo da identidade foi variável ao longo da trajetória do conhecimento humano, acompanhando a relevância atribuída à individualidade e às expressões do eu nos diferentes períodos históricos. (Jacques, 1998, p.159).

O conceito de identidade no senso comum se prende ao de personalidade e, portanto, algo que seria imutável e intrínseco ao sujeito. O próprio dicionário traz em sua definição essas características: Identidade – substantivo fem. – 1. Qualidade de idêntico. 2. Paridade absoluta. 3. Circunstância de um indivíduo ser aquele que diz ser ou aquele que outrem presume que ele seja.

O fato é que a Psicologia Comportamental rejeita a ideia de Personalidade, uma vez que o comportamento é controlado por contingências punitivas e reforçadoras não há características de comportamento que sejam intrínsecas ao indivíduo. O que é comumente chamado de personalidade é, portanto, uma série de padrões de comportamentos que, por uma visão behaviorista, passam a ser compreendidas pelo estudo das contingências que os mantêm, tais como as próprias interações humanas.

Sendo assim, o conceito de identidade e suas implicações no indivíduo e perante o contexto social, assume um papel importante dentro da Psicologia, seja ela por uma perspectiva Comportamental ou Social, que trazem uma definição oposta àquela sugerida pelo dicionário. Assim, a identidade que se constitui no produto de um permanente processo de identificação aparece como um dado e não como um dar-se constante que expressa o movimento social (CIAMPA, 2001, p. 68).

Apresenta-se, então, a definição de identidade como um aspecto temporal – não mais o contrário – e totalmente mutável ao longo da construção da subjetividade do sujeito. Entende-se aqui este conceito como um conjunto de fatores que identificam o indivíduo naquele momento e que, dessa forma, pode ser alterado. Ser professor faz parte do que se chamaria identidade de José, por exemplo. Contudo José não é e não foi professor ao longo de todos os momentos de sua vida. José foi, por exemplo, filho, neto, estudante, pai, amigo, inimigo e uma infinidade de outras coisas. Para cada contexto José agiria de uma determinada forma e desempenharia seu papel a partir de – também – determinadas características. Dentro de cada um desses contextos José executa um repertório comportamental coerente aos estímulos discriminativos e delta apresentados.

Identidade (1)

(Google Imagens)

A grande questão trazida por Ciampa em seu texto intitulado Identidade é que esses “papéis sociais” constituem, sim, a subjetividade do sujeito, entretanto é importante destacar que não o define por completo e tampouco é absoluta. É comum que se defina uma pessoa por características específicas de um contexto e espera-se que esta mantenha os mesmos padrões comportamentais sempre. Maria é assim, e uma vez que ela é assim não poderia, portanto, ser de outra forma. Há um peso enorme dessa concepção dentro do que se considera como relações sociais. Aprendemos, portanto, a definir pessoas e categorizá-las por padrões específicos.

É possível inferir, com base nos conceitos previamente apresentados, que as próprias relações sociais atribuem aspectos importantes à identidade e à sua construção. Sabe-se que no primeiro momento da história de vida de um indivíduo seus comportamentos, valores e moral são constituídos inteiramente dos mesmos fatores que são os de seus pais – ou daqueles que cuidam da criança, através de modelação, modelagem e esquemas de reforçamento que ocorrem naturalmente no convívio.

O próximo estágio que esta enfrenta é o ingresso ao ambiente escolar, o qual se inicia já com uma série de pré-disposições a respeito de seu comportamento e “caráter”. Desde sua fundação, a escola se apresenta como uma das principais referências na formação dos cidadãos e sua capacitação para compreender e atuar sobre uma sociedade civilizada (PATTO, 1996; SAVIANI, 1999; PALUDO, 2001; WEBER, 2008).

Quer saber melhor sobre a construção da Identidade em ambiente escolar? Não perca nossas próximas publicações!

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Escrito por: Ândrea Catharina

Referências Bibliográficas

“identidade”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/identidade [consultado em 11-11-2015].

MASTRANTONIO; Mônica, Exclusão/inclusão social: um Exclusão/inclusão social: um relato sob o bullying escolar na da identidade de uma pessoa tímida, 2015.

SANTOS; Marcelo Lurdes Dos, O Lugar da escola pública na construção da identidade de alunos e ex-alunos da Vila Nazi, 2009.

CIAMPA, Antônio da Costa, Identidade, 1989.

MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

 

“Pode me chamar de Ana”

O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

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