Por quê eu não consigo me manter na dieta?

(Google Imagens)

Saúde e bem-estar têm sido temas cada vez mais recorrentes na mídia. Isso acontece por simples reflexo às necessidades da população, uma vez que o percentual de obesidade e de doenças relacionadas à má alimentação estão cada vez mais altos. Estes fatos, combinados com o padrão de beleza socialmente estabelecido, faz com que grande parte das pessoas procure seguir uma dieta.

Somos bombardeados de infinitas espécies de dieta. Quantas vezes nos propormos a começar na próxima segunda feira, mas não conseguimos manter o foco por muito tempo? Depois daquele dia estressante e cansativo chegar em casa e comer uma pizza, sim! Simplesmente “porque eu mereço”? Ou mesmo para comemorações.

O problema começa quando seu repertório comportamental está baseado em relações distorcidas com a comida. Na sua história de aprendizagem comportamental você sempre foi reforçado positivamente com alimentos “não saudáveis” e saborosos, fosse para compensar frustrações cotidianas ou por grandes realizações. Dessa forma as contingências foram criadas e mantidas ao longo de sua vida.

Sendo assim, você automaticamente buscará o reforçador positivo sempre que se encontrar em uma situação de privação, que é o que a dieta provavelmente fará. Isso acontece porque você está tentando extinguir o comportamento “comer errado” e adicionar
em seu repertório o “comer certo”. Mas já explicamos em textos anteriores que o processo de extinção leva à uma consequência relativamente simples de ser entendida, mas difícil de ser contornada: a variabilidade da topografia da resposta.

Se você já tentou seguir infinitos tipos de dieta em sua vida e fizer agora uma reflexão poderá constatar que quando a privação chega, tentamos colocar toda e qualquer razão para justificar o “desvio” do foco. Seja uma festa infantil da filha de um amigo do trabalho, TPM ou mesmo recompensa por ter seguido a própria dieta de segunda à sexta feira.

Acontece que quando você se permite fazer exceções você está justamente reforçando o comportamento problema. Inclusive quando a comida é recompensa por fazer a dieta. Você pode se perguntar “mas a comida, neste último caso, não é um reforçador positivo para eu ter realizado a dieta?” Se olharmos de maneira superficial, sim. O ponto chave dessa questão é que seguir a dieta é o custo do comportamento “comer errado” e fazer dieta é simplesmente uma forma de coerção.

Explicamos também que controle comportamental por coerção tende à falha, pois quando a contingencia coercitiva é retirada o comportamento indesejado torna a ser emitido e sua frequência e/ou a magnitude tende a aumentar rapidamente. Pense naquele dia do lixo que você comeu sem parar o dia inteiro e depois disso não os dias foram passando e quando você deu por si já tinha abandonado a dieta. Isso é o que acontece quando depois de “algumas escapadinhas” você dificilmente consegue retomar o foco.

Mas o que fazer, então? Técnicas para este tipo de mudança serão discutidas melhor em posts posteriores, contudo em um primeiro momento é importante entender se você mantém este tipo de relação com a comida. Se sim, é importante que minimamente o reforçador para “fazer dieta” não seja comer uma comida que você gosta, embora isso seja bastante corriqueiro. Pense em coisas e lugares que lhe deem prazer, onde o protagonista não seja o alimento – mesmo o saudável – e use-os como reforçador para o comportamento desejado. Exemplo: ir ao cinema no final de semana, ir ao jogo de futebol no domingo. É evidente que tem de ser algo que seja suficientemente satisfatório para você, uma vez que o esforço para conseguir o reforço tem que compensar em termos de custo, para que você continue realizando.(Google Imagens)
NOTAS:
1. Essa postagem não substitui qualquer terapia, não tem intenção de tratar ou analisar leitores, tampouco substitui o Sistema de Fichas da Análise Funcional do Comportamento. O objetivo é demonstrar que adquirir um novo comportamento pode estar muito mais acessível do que o leitor poderia imaginar.
2. Não desprezo aqui os fatores fisiológicos que envolvem o comportamento de comer, apenas evidencio como as relações distorcidas com o alimento atrapalham na construção de um novo repertório comportamental.

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Escrito por: Ândrea Morais

 

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