As facetas de uma geração digital: Black Mirror e a Modernidade

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>> aviso: este artigo pode conter recortes de alguns episódios. Desfechos não serão trazidos. <<

Muitos de nossos leitores possivelmente conhecem a série Black Mirror, criada por Charlie Brooker para a televisão britânica. Para aqueles que não conhecem segue uma sinopse breve, segundo o site adorocinema.com: Uma espécie de híbrido entre “The Twilight Zone” e “Tales of the Unexpected”, Black Mirror explora as sensações do mal-estar contemporâneo. Cada episódio conta uma história diferente, traçando uma antologia que mostra o lado negro da tecnologia.

De tema extremamente atual a série propõe reflexões sobre a modernidade e o uso desmedido e, possivelmente, distorcido da tecnologia. Até que ponto tamanha magnitude tecnológica faz bem para o ser humano e suas relações inter e intrapessoais? Encontramos na série elementos do nosso cotidiano amplificados em uma realidade particular para cada episódio, como uma vida em função de “likes”, ou mesmo as infinitas percepções possíveis para cada frame de nosso dia.

A produção explora o psicológico de seus personagens e a forma com que essa revolução digital o afeta. Um dos episódios traz uma proposta semelhante às redes sociais, tão viralizadas hoje em dia, na qual toda a estrutura social é baseada na avaliação que o indivíduo recebe dos outros. As pessoas, neste contexto, vivem em função das “avaliações” que receberão uns dos outros, independentemente dos sentimentos reais por trás de cada experiência postada em rede.

Já hoje em dia muitas pessoas são reforçadas pela quantidade exponencial de curtidas que suas fotos em redes sociais recebem. Independentemente de existir alguma forma de relacionamento com as pessoas que acompanharam a postagem. Há infinitos questionamentos a respeito dos relacionamentos, sua liquidez e virtualidade. Contudo é importante pensar nos estímulos que, pouco a pouco, se tornaram discriminativos para este tipo de comportamento.

Seria possível dizer que a cultura exerce um reforço diferencial nos indivíduos de uma sociedade, uma vez que aquilo que o senso comum define como “padrões de comportamento socialmente aceitos” nada mais são do que comportamentos reforçados positivamente ao longo de um determinado período.

Evidentemente o agente reforçador – ou aquele que determina quais os comportamentos que serão reforçados – está intimamente ligado com o sistema socioeconômico vigente e isso produz não apenas modelos do que é certo e errado, mas patologias (psico e fisiológicas).

O que a série – e este texto – propõem é direcionar o olhar para as consequências que o reforço positivo produzido pela tecnologia produzem. Imagine, por exemplo, a possibilidade de se controlar as memórias. Repassá-las infinitas vezes a fim de observar cada detalhe. Essa acessibilidade pode servir de reforço para comportamentos de controle. Possibilitando, inclusive, distorções na percepção, uma vez que um mesmo estímulo pode eliciar diferentes respostas. Uma consequência para este esquema estabelecido a longo prazo são psicopatologias como transtornos de personalidade, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão. Sem contar, claro, com o contra controle emitido: como mentiras, memórias deletadas, recortes de memórias arbitrariamente selecionados para argumentação.

A respeito das relações interpessoais é possível pensar em diferentes níveis: o contato físico reduzido pode ser considerado com comportamento de esquiva, uma vez que consequências como rejeição, exclusão social e contrastes ideológicos são evitadas. Simultaneamente uma vida virtual é desenvolvida e frequentemente reforçada. A combinação desses fatores atua na vida do sujeito como um reforço diferencial para o condicionamento de comportamentos que serão socialmente aceitos, produzindo indivíduos que respondam favoravelmente à ideologia dominante. Essa amplificação explorada pelos produtores de Black Mirror está tão distante assim de nossa realidade?

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Escrito por: Ândrea Morais

 

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