O Reforço Negativo: Comportamento de Fuga e Esquiva

Sabe-se que o Reforço obrigatoriamente mantém determinado comportamento e que sua tendência é de aumentar a emissão de respostas. Com o Reforço Negativo, mesmo com a conotação de negação em seu nome complementar, ocorre exatamente a mesma coisa. (Compreenda melhor sobre Reforço)

Se o Reforço Negativo mantém o comportamento assim como o Reforço Positivo, qual é de fato a diferença entre os dois? Muitas!

Vamos começar deixando claro que os conceitos de Positivo e Negativo para a Psicologia Comportamental nada tem a ver com Bom ou Ruim, mas sim com Apresentação e Retirada.

Quando tratamos de Reforço Negativo, queremos então dizer que algo foi retirado do ambiente do organismo, fazendo com que o comportamento se mantenha. Mas, de fato, o que o organismo retira? Algo que lhe é aversivo, e é por esse motivo que, mesmo sendo Reforço, o Reforço Negativo é considerado um Controle Aversivo ou Controle Coercitivo.

(Vídeo-aula com Caio Moura em nosso canal do Youtube)

As Contingências Reforçadoras mantêm os comportamentos por trazerem consequências as quais os organismos procuram quando emitem uma resposta, e no caso do Reforço Negativo, o organismo quer fugir ou se esquivar de algo aversivo. Se o seu comportamento resulta no êxito dessa fuga ou esquiva, grandes são as chances de ser mantido e ter sua frequência aumentada.

Para exemplificar, imagine o sol escaldante a 40 graus. Você sai de casa e tem em sua mão um óculos de sol. Ao coloca-lo, a sensação ruim em seus olhos passa a não mais existir. O comportamento de usar óculos de sol foi reforçado (você voltará a fazer, mantendo esse comportamento e aumentando de frequência) negativamente (por tirar o estímulo aversivo – o sol ocasionando incômodo nos olhos – do seu ambiente).

Isso acontece também quando você evita frequentar determinado estabelecimento por, por exemplo, tocar um gênero musical que não lhe agrada. Sendo assim, você é reforçado negativamente ao evitar ouvir músicas que, em sua concepção, não são legais.

Mas, entre esses dois exemplos, há uma diferença. Eles não são da mesma categoria de Reforço Negativo. Um é considerado Fuga e, o outro, Esquiva.

Para melhor compreensão, trataremos de cada um deles separadamente. O comportamento de Fuga sempre será o primeiro a ser aprendido, isso por que para o organismo fugir é necessário estar no mesmo ambiente que o estímulo aversivo. Então considera-se fuga aquele comportamento que retira o estímulo aversivo do ambiente o qual o organismo está, como o choro de uma criança, uma pedra no sapato, uma sujeira no óculos ou, como no exemplo, o sol escaldante nos olhos.

A Esquiva é uma consequência da Fuga, pois o comportamento de Fuga posteriormente tem a tendência em se tornar de Esquiva, já que o organismo fugiu anteriormente ao estímulo e agora busca evitar entrar em contato, esquivando-se como no segundo exemplo. Para saber que a música não o agradava, pelo menos uma vez entrou em contato com ela e teve de fugir (comportamento de Fuga, pois a música estava no mesmo ambiente que o organismo), mas posteriormente o organismo passa a evitar entrar em contato por já saber que não o agrada, esquivando-se (evitando o contato).

O primeiro exemplo (do óculos de sol) facilmente se tornará um comportamento de esquiva posteriormente, quando o organismo não mais esperar estar em contato com o sol escaldante para colocar o óculos de sol, mas sim coloca-lo antes de sair de casa, por exemplo.

Esses comportamentos são importantes para a sobrevivência, mas pela Generalização de Estímulos, o organismo tende a fugir ou se esquivar de grande parte daquilo que aparentemente é igual ao que ele considera aversivo.

Compreender as contingências por reforçamento negativo é fundamental para explicação de muitos comportamentos que trazem sofrimento ao organismo, pois muitas vezes há fuga ou esquiva de elementos que aparentemente são aversivos, mas na realidade não deveriam ser.

O Controle Aversivo possui efeitos colaterais e, no caso do Reforço Negativo, um deles é dificultar o organismo a ter acesso a Reforçadores Positivos por estar fugindo ou se esquivando.

Você tem alguma dúvida? Deixe um comentário e nós lhe esclareceremos! Compartilhe também esse texto em suas redes sociais, basta clicar nos botões abaixo! =D

Escrito por: Caio Moura

Referência Bibliográfica: MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

 

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O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

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Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

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Readers Comments (14)

  1. Muito bom, parabéns pela publicação e pelo site! Tenho uma dúvida… Se o comportamento de fuga é o primeiro a ser aprendido, o que dizer de quando o indivíduo exerce o comportamento de fuga sem nunca ter sido exposto ao estímulo aversivo? Como alguém que não quer saltar de paraquedas sem nunca ter sido exposto a alguma grande altura, ou alguém que simplesmente não exerce tal comportamento por outro alguém ter dito que resultará em algo aversivo? Como pecar e ir para o inferno, por exemplo. São comportamentos de fuga?

    • portalcomportamental 30 de setembro de 2016 @ 01:19

      Boa noite! Tudo bem?
      Vamos por partes. No primeiro caso, de não pular de paraquedas, temos como processo de aprendizado a “modelação” que, diferentemente da “modelagem”, não se trata de aprender o comportamento fazendo, mas sim por herança sociocultural. (Temos um artigo aqui no portal que explica melhor a diferença entre os dois termos). Sendo assim, o medo de paraquedas estaria relacionado ao contexto desse indivíduo e sua cultura, mantendo o comportamento de esquiva (pois o paraquedas não está presente, ele evita).
      No segundo caso, também esquiva, está relacionado ao comportamento controlado por regras, o qual apenas a fala de outro indivíduo é o suficiente para que ocorra esse aprendizado. Temos vários exemplos assim, como manual de instruções: você não precisa quebrar seu produto para comprovar que determinado comportamento irá danifica-lo, ao contrário, você lê a regra e, consequentemente, evita (esquiva) o comportamento que resultaria o estrago.
      Agradeço o elogio e a pergunta. Qualquer dúvida estou à disposição.
      Ass: Caio Moura.

  2. Olá, Caio! Muito bom o seu texto, me ajudou a compreender melhor os conceitos, obrigado (:
    Porém, tenho uma dúvida: A fuga e a esquiva derivam do reforço negativo? Ou o reforço negativo está só na esquiva?

    • portalcomportamental 27 de outubro de 2016 @ 20:36

      Olá! Obrigado, fico muito feliz!
      Sim, ambos derivam do reforço negativo. Vale lembrar que um comportamento só se mantém por reforçamento, ou seja, para a pessoa fugir, ela precisa ser reforçada (nesse caso, negativamente).
      Sigo à disposição.
      Ass: Caio Moura.

  3. Olá, adorei seu texto.
    Como posso comparar o comportamento esquiva e fuga com uma noticia como troca de tiros em uma determinada empresa?

    • portalcomportamental 23 de novembro de 2016 @ 14:30

      Boa tarde! Fico feliz que tenha gostado do texto.
      Sobre a pergunta, fuga seria em relação às pessoas que estão dentro da empresa e estão fugindo dos tiros. Esquiva seriam as pessoas que evitam entrar na empresa por causa do tiroteio, ou seja, não estão de fato em contato com o S aversivo.
      Podemos ir além: apos o tiroteio, alguns desenvolverem fobias de lugares fechados (esquiva, por associar empresa = lugar fechado = tiroteio = perigo = aversão).
      Espero ter ajudado! 🙂

      Ass: Caio Moura.

  4. Bom dia, no exemplo que você escreveu sobre esquiva:
    “Isso acontece também quando você evita frequentar determinado estabelecimento por, por exemplo, tocar um gênero musical que não lhe agrada. Sendo assim, você é reforçado negativamente ao evitar ouvir músicas que, em sua concepção, não são legais.”
    Não seria um exemplo de punição, já que o comportamento de frequentar o estabelecimento foi cessado? Ou o comportamento de “não ir” foi reforçado pela retirada de um estímulo aversivo?

    Obrigado e ótimo texto, parabéns!

    • portalcomportamental 20 de agosto de 2017 @ 14:59

      Bom dia! Obrigado pelo elogio =D
      Quanto à sua dúvida, sim! Na primeira vez, de certa forma, a pessoa foi “punida” com a música desagradável. Consequentemente, ela pode entender – e generalizar – que, sempre que se comportar desta forma (ir ao local), será punida com esse tipo de música. Sendo assim, evita (esquiva) entrar em contato. Esse -> evitar <- é mantido por reforço negativo. Entendeu? Ass.: Caio Moura.

  5. Deixar de jogar roupas pela casa para não ficar sem videogame.

    Reformo negativo sendo controle aversivo, ou punição?

    • portalcomportamental 2 de outubro de 2017 @ 15:22

      Olá!
      Sempre que um comportamento é mantido, o motivo é um reforço. A punição elimina comportamentos.
      Sendo assim, o indivíduo está deixando as roupas organizadas (comportamento) para ter acesso ao vídeo game (reforço).

      Ass.: Caio Moura.

  6. portalcomportamental 4 de Janeiro de 2017 @ 19:29

    Merci pour la lecture! 🙂
    Ass: Caio Moura.

  7. Descobri sua página hoje. Pena não tê-la encontrado no início do ano, me aventurar pela pós em análise de comportamento,rs.
    Leitura fácil e esclarecedora, o que facilita a compreensão. Os vídeos são ótimos, com excelente didática.
    No próximo módulo estudarei comportamento verbal. Espero que você continue me reforçando.
    Muito obrigada.
    Abraço e sucesso.

  8. portalcomportamental 18 de julho de 2017 @ 03:16

    Fico muito contente com este feedback! Você está me reforçando rsrs… Continuarei sim! Obrigado mais uma vez.
    Sucesso em sua caminhada e continue visitando o portal =D
    Ass.: Caio Moura.

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  1. casquette obey

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