Esquemas de Reforçamento: Contínuo (CRF) e Intermitente (FR, VR, FI, VI)


Os comportamentos são mantidos através de Esquemas de Reforçamento. Sabe-se que é o Reforço a consequência responsável por aumentar a frequência dos comportamentos e mantê-los no repertório comportamental do organismo. Acontece que existem esquemas diferentes: o Contínuo e o Intermitente.

(Vídeo-aula com Caio Moura em nosso canal do Youtube)

O Esquema de Reforçamento Contínuo (CRF) ocorre quando a resposta emitida pelo organismo sempre é reforçada, isto é, 1 comportamento = 1 reforço. Exemplo: toda vez que o botão do controle da TV é apertado, ela liga. Comportamento: apertar o botão, reforço: TV ligada.

Reforçar em CRF é altamente eficaz na modelagem de um novo comportamento. Para isso, deve-se reforçar cada resposta emitida que seja próxima àquela desejada, até que de fato a resposta em questão seja emitida, também reforçada, fazendo então parte do repertório comportamental do organismo.

Imagine que um bebê consiga sentar sozinho, mas você quer que ele engatinhe. Ao ficar com os 4 membros no chão, você reforça. Após reforçar algumas vezes essa resposta, você passa a exigir que pelo menos uma mão à frente deve ser emitida para o reforço. Quando o bebê se comporta assim, você passa a reforçar todas as respostas, assim sucessivamente até que, de fato, o bebê engatinhe.

Além de ser o esquema mais indicado para aprendizado de novos comportamentos, o CRF também é mais fácil de entrar em extinção, já que o organismo perceberá facilmente a ausência do reforço, aumentará a emissão de respostas no início (aumento da frequência), mudará a topografia da resposta (tentará de outras maneiras) e emitirá respostas emocionais, mas se após essas tentativas o reforço não aparecer, o comportamento será extinto. A questão é: e quando, por alguma razão, o reforço aparece nessas tentativas? O organismo pode entrar em um Esquema de Reforçamento Intermitente.

Como o próprio nome sugere, o Esquema de Reforçamento Intermitente não mais disponibiliza o reforço a cada resposta, mas sim intermitentemente. Por isso, no exemplo acima, caso o reforço aparecesse quando o organismo emitisse, por exemplo, 5 respostas (em suas tentativas), ele entraria em um esquema de reforçamento intermitente, pois o reforço não mais é concedido assim que a resposta é emitida, mas sim após 5 respostas.

Observe na imagem abaixo a diferença entre eles.

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(Princípios Básicos de Análise do Comportamento, página 118)

Os Esquemas de Reforçamento Intermitente não são iguais. Perceba que há possibilidade de variações não só no número de respostas emitidas, mas também no tempo. E entre número de respostas e tempo de emissão, pode-se considerar o que é fixo (sempre um número fixo de número ou tempo) ou variável (variação entre número e tempo). É por este motivo que há 4 diferentes tipos de Reforçamento Intermitente. São eles: Razão Fixa, Razão Variável, Intervalo Fixo e Intervalo Variável.

 

Razão Fixa (FR)
O número de respostas exigido para cada reforço é sempre o mesmo.
Exemplo: A cada 5 respostas, 1 reforço: A cada 5 “vistos” no caderno pela professora, a criança ganha 1 estrela.

Razão Variável (VR)
O número de respostas exigido para cada reforço varia.
Exemplo: A cada 22 respostas, 1 reforço. A cada 18 respostas, 1 reforço. A cada 31 respostas, 1 reforço: Engraxar sapatos reforça ao engraxate R$15,00 ao término da atividade, porém no primeiro sapato ele movimentou as mãos por 22 vezes, no segundo foram necessárias 18 vezes e, no último, 31 vezes.
NOTA: É muito usual falar em padrões variáveis através de médias. Neste exemplo, 22 + 18 + 31 = 71 / 3 = 23.6, ou seja, VR: 24 (Razão Variável: 24)

Intervalo Fixo (FI)
O tempo decorrido desde o último reforçamento é sempre o mesmo.
Exemplo: A cada 24h, 1 reforço. Ligar a TV diariamente às 21h para assistir a novela e ser reforçado quando ela é exibida. Perceba que não importa se, durante as 24h, o organismo ligou a TV, pois ele só será reforçado no tempo exato.

Intervalo Variável (VI)
O tempo decorrido desde o último reforçamento varia.
Exemplo: A cada 8 minutos, 1 reforço. A cada 4 minutos, 1 reforço. A cada 12 minutos, 1 reforço. Durante um filme o sujeito prefere as cenas de comédia e elas aparecem intermitentemente em intervalos variados, o reforçando a permanecer assistindo.
NOTA: É muito usual falar em padrões variáveis através de médias. Neste exemplo, 8’ + 4’ + 12’ = 24’ / 3 = 8’, ou seja, VI: 8’ (Intervalo Variável: 8’)

 

Entendido sobre essas diferenças, vale ressaltar que nem sempre o Reforço fica disponível eternamente. Aliás, é muito mais comum que ele tenha um Tempo de disponibilidade.

No último exemplo, de VI, caso o indivíduo não emita a resposta de assistir (por exemplo, saia da sala para usar o banheiro) justamente quando o reforço aparece (a cena de comédia) e ela tem duração de 1’, quando ele voltar, terá perdido o reforço e terá de emitir a resposta até o próximo reforçamento (ou seja, continuar a assistir). Nesse caso, o tempo de disponibilidade do reforço foi de 1’.

Para finalizar, os Esquemas de Reforçamento Intermitente são mais eficazes para manutenção do comportamento, ou seja, são mais difíceis de serem extintos. Isso deve-se ao fato de serem facilmente manipulados enquanto quantidade de respostas e tempo, fazendo com que o organismo já tenha aprendido que o “reforço nem sempre vem”, tentando mais e mais vezes alcança-lo.

Geralmente, pessoas com maior repertório comportamental em CRF tendem a desistir mais facilmente de seus objetivos (pouca resistência à extinção), ao passo que aquelas em Reforçamento Intermitente possuem mais “perseverança” (maior resistência à extinção).

Você tem alguma dúvida? Deixe um comentário e nós lhe esclareceremos! Compartilhe também esse texto em suas redes sociais, basta clicar nos botões abaixo! =D

Escrito por: Caio Moura

Referência Bibliográfica: MOREIRA & MEDEIROS. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. 224p.

 

“Pode me chamar de Ana”

O redator deste portal, Caio Moura, acaba de lançar o seu primeiro livro autoral, um Romance de Ficção Dramática que conta com a sinopse a seguir:

“Canteiros, uma cidade brasileira e pacata, é aconchego para quem chega à UNICAN (Universidade de Canteiros) e, com seu clima frio e impessoal, desperta nos jovens sonhadores a necessidade de calor humano. Ana, caloura, resolve permitir que seu coração seja aquecido por Rafael, veterano do último ano de Engenharia, bem-sucedido sob os frutos da empresa do pai.

Contra tudo e todos, Ana e Rafael vivem um jovem romance que tenta sobreviver à humilhação, indignação, ciúme, conflitos, indiferença, compulsão e inconsequência, por meio da ousadia que cava sua própria cova.

O que você pensaria de si mesmo se, porventura, se encantasse por uma pessoa que abusa sexualmente de uma criança!? Talvez, de imediato, você responda que isto é completamente improvável, mas esta leitura lhe provará que nada é impossível e que você não sabe, de fato, o que acontece na casa ao lado.”

 

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Readers Comments (30)

  1. Muito bom parabéns, preciso fazer uma apresentação sobre esquemas de reforçamento, você acha que só esse conteúdo engloba o assunto?

    • portalcomportamental 10 de outubro de 2016 @ 17:45

      Boa tarde! Obrigado pelo comentário!
      Acredito que sim, pois englobamos todo o capítulo de Esquemas de Reforçamento da bibliografia em questão.
      Ass: Caio Moura.

  2. muito bom! gostaria de saber se o comportamento intermitente seria o equivalente ao aleatório.
    Obrigada,
    Jaqueline

  3. Um esquema típico dos jogos de azar, dos vendedores de porta em porta e dos funcionários de call center. Seria um esquema contínuo?

  4. Iracema ap sensao 22 de Março de 2017 @ 19:10

    Muito bom mesmo

  5. Quais seriam os principais favores que influenciaram na aplicação do comportamento intermitente? ( alias ótimo texto)

    • portalcomportamental 22 de Maio de 2017 @ 15:45

      Olá! Obrigado pelo elogio.
      Quanto a pergunta, seria “fatores”? Se sim, certificar-se se o organismo ja possui o comportamento em seu repertório, senão é pouco provável que um reforçamento intermitente funcione. Depois disso, perceber o que está em privação para escolher o reforço.

      Ass.: Caio Moura.

  6. Bom texto. Esse reforço é apenas positivo ou pode ser também negativo?

  7. Bom texto, muito claro! As respostas também (:

  8. Muito bom texto, bem objetivo, de fácil entendimento, abordou todo o tema em questão com de forma resumida.
    Parabéns .

  9. Olá! para k controle do comportamento de criança de 2 anos, qual seria melhor? continuo ou intermitente?

    e, especialmente, para o controle do esfincter e de birras?

    Muito obrigada pela atenção!

    • portalcomportamental 25 de julho de 2017 @ 19:38

      Olá! Tudo bem?
      Obrigado pelo comentário!

      Quanto à sua questão, a adição de novo comportamento ao repertório sempre é melhor utilizar reforçamento contínuo, até que a criança aprenda.
      Isso significa que toda vez que ela utilizar os esfíncteres de forma correta, você deve reforçar. Pode ser com carinho, beijos, atenção social de forma geral. Elogios são muito bem vindos.
      Quanto às birras, o ideal seria ignorar. O choro vai aumentar (aumento na frequência do comportamento), o bebê tentará outras formas de chamar atenção (mudança na topografia da resposta), mas se você for resistente, a tendência é o bebê diminuir até parar. Isso exige muita paciência, mas aos poucos ele aprenderá outras formas de chamar atenção. Para isso, dê atenção sempre quando ele fizer algo que você considere adequado. Assim, ele perceberá que fazendo X ele terá atenção, mas fazendo birra, não.

      Espero ter ajudado!
      Ass.: Caio Moura.

  10. muito obrigada pela pronta resposta, além de Simples e precisa!

    farei conforme orientado e depois. contarei aqui o resultado! 🙂

    estava na dúvida sobre como utilizar o quadro de reforço comportamental, mas agora irei dar o reforço a cada comportamento adequado e não ao fim do dia…

    o seu artigo tem linguagem acessível e objetiva! parabéns pelo trabalho desenvolvido!

  11. Caio,

    me empolguei e comecei a ler todos os seus textos! 🙂 um melhor q o outro!

    fiquei com algumas dúvidas : como reforçar positivamente o comportamento do filho no caso do exemplo do texto?
    e como o reforço positivo poderia inibir possíveis trapaças, tal como a cola mencionada por vc?

    por exemplo: tenho adotado a seguinte estratégia: dou 3 alertas para o meu filho de 2 anos acerca de um mal comportamento. se ele não muda, ou o deixo de castigo por 2 min no sofá ou o primo de um brinquedo desejado. como então poderia adotar o reforço positivo para extinção do indesejado?

    • portalcomportamental 20 de agosto de 2017 @ 14:56

      Bom dia!
      Fico muito feliz que esteja gostando dos textos =D
      Sobre sua dúvida, não conseguimos extinção do indesejado com reforço, mas conseguimos aumentar a frequência do desejado, entende? Então automaticamente a frequência de um aumenta, enquanto a do outro diminui, pois a criança não se comporta de dois jeitos no mesmo tempo. Se há um comportamento específico que você queira extinguir, tente perceber se há o oposto dele para ser reforçado… Deixe a punição para último caso!
      Espero que eu tenha ajudado… Continue por aqui! 😉

      Ass.: Caio Moura.

  12. Caio, a sua dica está dando super certo!

    Muito obrigada! 🙂

  13. Hamilton Fernando 5 de outubro de 2017 @ 10:18

    Excelente explicações, ótimos conteúdos.
    Parabéns!

  14. Muito didático, gostei bastante, parabéns!

  15. Bom dia, Parabéns pela explanação clara e precisa sobre o tema, pois para mim foi muito esclarecedor.

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